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A minha dependência digital.

Antes de tudo é preciso me apresentar e admitir: meu nome é André Crevilaro e sou adicto da internet.

Eu fico em frente ao um computador desde que comecei a minha vida profissional, então para mim é normal passar algumas horas na frente da tela, seja trabalhando ou socializando através das redes sociais. Mas quando comecei a trabalhar com tecnologia lá no princípio dos anos 2000 ainda não havia smartphones como os conhecemos hoje, o que de certa forma auxiliava um pouco mais a desconexão, mas com o advento da internet 3G e os sistemas operacionais para telefones podendo ser acessados a qualquer hora, muita coisa mudou.

Sempre fui um ‘early-adopter’ e ‘heavy-user’ de tecnologias, isso quer dizer; sou um usuário que começa a utilizar elas antes de ficarem muito populares e também gasto muito do meu tempo nesse processo.

Mas eu não estou sozinho nessa:

‘Os dispositivos móveis estão cada dia mais presentes no cotidiano das pessoas. No Brasil esse hábito é acima da média global.  No país, 38% dos brasileiros usam o smartphone por seis horas ou mais diariamente. A média mundial de uso por seis horas é de 22%.’

Fonte: Brasileiro é “heavy user” de smartphone

Mas para quem trabalha com tecnologia e conteúdo como fazer essa distinção?

Achei que nunca tivesse problemas com a utilização do celular, afinal isso é o meu trabalho, mas também como a maioria das pessoas tenho um imenso prazer em participar de grupos, postar fotos no Instagram e ficar rolando a timeline a qualquer horário que estiver disponível como uma forma de espantar o tédio, seja no banheiro, quando parado no semáforo ou numa fila do supermercado. Mas um pouco diferente do usuário comum, além de eu consumir a internet, de certa forma eu ajudo a produzi-la, seja com os conteúdos pessoais, projetos e para meus clientes. Então quando não estou trabalhando, estou consumindo, afinal na minha profissão é preciso ficar inteirado qual o trend topic do dia, as novas técnicas de persuasão para cliques, como vender mais online, qual o novo aplicativo que vai destruir o atual, responder as demandas onlines e dessa forma ficar nesse ciclo tecnológico num eterno looping de uma timeline sempre esfomeada e infinita.

Com isso acabei notando que posso ficar em torno de 12 à 15 horas conectado entre dispositivos, algumas vezes a trabalho, em outras apenas para ficar antenado no que acontece e nas oportunidades que se fazem no mundo digital. Esse assunto estaria mais para uma Detox Digital, afinal desde 2014 havia comentado isso em outros textos.

Mas como parar ou amenizar algo tão prazeroso e que gostamos de fazer?

Sim, as redes sociais e a internet é uma coisa muito boa e gostosa de fazer e acessar, é como se fosse um fast-food ou uma bebida alcoólica, mas com o mesmo potencial de vício. Todo esse processo é feito para que fiquemos mais conectados, afinal existe até um mercado de economia para isso:

“O economista Herbert Simon (1916-2001) foi o primeiro a descrever o fenômeno da economia da atenção, ainda sem esse nome, na década de 1970: “A riqueza de informação cria pobreza de atenção, e com ela a necessidade de alocar a atenção de maneira eficiente em meio à abundância de fontes de informação disponíveis”.

Fonte: Como a economia da atenção afeta o seu planejamento de comunicação

Portanto hoje os grandes conglomerados da comunicação da internet precisam obter sua atenção através dos conteúdos, vídeos e toda sorte de títulos e links que puderem, eu que trabalho nessa área estudo essas técnicas e muitas vezes me vejo preso à essa rede de atenção, agora imagina para quem passa despercebido de todo esse processo?

E o que eu venho fazendo para atenuar isso?

Primeiramente, assim como a economia de atenção que agora é quase uma ciência, temos também a economia e os estudos de dados para quantificar de maneira exata sem deixar sombras de dúvidas o que fazemos e consumimos. Inclusive o termo da vez é o Big data.

Big Data é a análise e a interpretação de grandes volumes de dados de grande variedade. Para isso são necessárias soluções específicas para Big Data que permitam a profissionais de TI trabalhar com informações não-estruturadas a uma grande velocidade.  

Fonte: O que é Big Data?

Hoje e no próximo futuro será possível rastrear nossos dados, quantificar ações e analisar de maneira simples nosso corpo, comportamentos e ações. Com isso em mãos comecei analisar meus acessos e uso do telefone e consegui perceber o quanto preciso melhorar a qualidade do meu tempo gasto online.

Para isso eu utilizo o Quality Time – My dieta digital , com ele consigo ver quantas horas online gasto diariamente, semanalmente e mensalmente. Também é possível criar alertas de uso para cada aplicativo escolhido e estipular pausas programadas, existem muitos outros também com esse intuito mostrando que as pessoas estão criando cada vez mais essa demanda e querendo soluções para amenizar o uso excessivo dos seus celulares.        

Uma outra solução também foi clarear a minha timeline, recentemente estive uma palestra com meu amigo Garon Picelli, outro early-adopter e heavy-user das tecnologias e redes sociais, ele estava justamente falando sobre esse mesmo processo e como estava tentando melhorar a qualidade de quem seguia ou quais tipos de conteúdo que mereciam sua atenção maior.

Também cortei drasticamente os grupos de WhatsApp, influencers digitais entre outros conteúdos improdutivos, comecei a seguir projetos e pessoas mais interessantes e que agregavam positivamente na minha vida e não apenas de uma forma que eu seja apenas mais um espectador da vida delas, mas mesmo fazendo isso é preciso muita cautela porque senão podemos sair de uma bolha digital para apenas entrar em outra. E isso vale também para as coisas que repasso aos outros, eu realmente tenho a intenção de oferecer qualidade e ajuda para quem me segue também? Também preciso questionar por qual motivo desejo a atenção dos outros? Num mundo carente, os selfies, postagens excessivas, likes e visualizações são uma forma de preencher um vazio que carregamos?  

Voltar as raízes

E por último também venho me dedicando aos exercícios, yoga e caminhadas, passar mais tempo ao ar livre ou arrumando minha casa e mexendo com a terra no meu jardim. Parece bobo, mas fazer um trabalho manual com a terra me ajuda em muito para compensar as horas gastas em frente as telas. É óbvio que isso é um processo e que às vezes eu me perco nele e em outras eu me acho muito mais. A verdade é que principalmente venho aprendendo, então a primeira coisa que fiz nisso tudo é realmente admitir a minha dependência do mundo digital e dessa forma buscar melhorar meus comportamentos, hábitos diários e tentar levar uma vida mais simples e feliz, afinal não é o que todos desejam obter? É um dia após ao outro, mas sempre mantendo a frequência e aprendizado.

Se você também tiver alguma dica comente ou se conhecer alguém que esteja passando por esse processo compartilhe com ela.

                                                              

Por André Crevi

Freelancer | Creator @dinofauro | @PetitGuazu | Designer gráfico | Social Media | Jardinagem | Consciência |

2 respostas em “A minha dependência digital.”

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