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Éramos nós a crise americana e como resolvê-la (2011)

Fica difícil fazer um resumo muito detalhado sobre as 380 páginas desse livro que mostra alguns fatos e resoluções sobre a crise americana, que também é similar em alguns outros países industrializados, servindo de reflexão para esses novos tempos.

O livro foi escrito por Thomas L. Friedman, ganhador de 3 Pulitzers, considerado um dos jornalistas mais influentes do mundo, colunista de relações internacionais do New York Times junto com o Professor de Política Externa e ph.D por Harvard, Michael Mandelbaum.

Resumo:

A ansiedade da sociedade americana em relação ascensão mundial da China é uma preocupação justificável em que os autores percorrem o caminho que os levaram para uma série de decisões tomadas pelos EUA em seus últimos anos, especialmente após a crise econômica desencadeada no ano de 2008

Os EUA desempenham um papel imenso e, com frequência, construtivo do mundo atual. Mas de acordo com os autores isso depende em muito das condições sociais, política e econômicas que atualmente não estão saudáveis. E tudo começa com a justa comparação e reflexão entre as duas maiores potências mundiais, China e os EUA para algo relativamente simples:  – As escadas rolantes do terminal de metrô do Whashigton Metrotrail levaram mais de 24 semanas para serem consertadas; enquanto no outro lado do mundo a China através da empresa de construção civil Teda, levara apenas 32 semanas para construir o moderno Centro de Convenções de Meijiang, incluindo escadas rolantes gigantescas em cada canto do complexo. O espanto dos autores é que a sociedade americana se acostumou com essa letargia e que os EUA estão ficando para trás perante a China, tornando-se um tema central nas conversas, nos lares e trabalhos americanos.

‘’ Em suma, os autores declaram que o maior problema não é que os EUA não estejam conseguindo acompanhar as melhores práticas da China, mas que se desgarraram das melhores práticas da própria América. O futuro não depende de adotar as características chinesas, mas de fazer que o sistema democrático funcione com o tipo de foco, autoridade moral, serenidade, ação coletiva e concentração que a China conseguiu gerar por meios autoritários nas últimas décadas.’’   

Ao que tudo indica logo após a Guerra Fria a América, ignorou alguns futuros problemas e eles se destacam em quatro grandes eixos de desafios:

  • Adaptação à Globalização
  • Ajustar-se a revolução da Tecnologia da informação
  • Enfrentamento dos crescentes déficits públicos orçamentários
  • Entendimento para lidar em um mundo onde cresce o consumo de energia e as ameaças ambientais.

Assim como o Japão foi temido nos anos 80 e ameaçou a cidade americana de Detroit e duas indústrias, a de automobilismo e dos produtos eletrônicos, agora com a globalização o processo tornou-se mais complexo em termos mais gerais desafia todas as cidades do país, assim como China, Índia, Brasil. Israel, Cingapura, Taiwan, Coreia e a lista poderia prosseguir indefinitivamente representando um desafio enorme ao Estados Unidos que por muitos anos representou a supremacia nos mais variados campos, sejam eles os econômicos, sociais e tecnológicos. A globalização tem posto sob pressão todos os tipos de empregos, eliminando carreiras e inventando outras em velocidade surpreendente, assim como o resto do mundo, os EUA não podem prosperar em base de salários baixos, isolamento geográfico ou poderio militar, mas sim com bases na capacidade mental devidamente preparada e aplicada para o mundo atual.

Além disso, os EUA sofrem com uma dívida pública enorme e déficits anuais crescentes, o valor das despesas do governo é maior que as suas receitas. Uma das causas advém desde o tempo da guerra fria onde o governo não cobrou impostos suficientes após contraídos empréstimos. E alguns desses trilhões estão sendo obtidos através da China que é um dos maiores compradores dos títulos públicos americanos, devido a confiança na economia americana e ao protagonismo internacional do dólar. De fato os EUA possuem sua própria versão da riqueza petrolífera: a riqueza do dólar. Como ele tornou-se moeda internacional depois da segunda guerra mundial, os EUA podem imprimir papel-moeda e emitir títulos da dívida como nenhum outro país. Nações ricas em petróleo tendem a indisciplina fiscal, mas um país que consegue essencialmente imprimir sua própria riqueza em forma de dólares pode cair na mesma armadilha. E essa indisciplina fiscal chegou em seu ápice no momento mais errado: quando justamente a geração baby boomer está prestes a se aposentar e passar auferir dos benefícios da previdência social e do Medicare, uma espécie de plano de saúde social mais complementado disponibilizado aos americanos.

Segundo estimativas, as obrigações dos estados com aposentadorias sem cobertura chegam a 3 trilhões de dólares, algumas cidades já decretaram falência, como foi o caso de Vallejo na Califórnia onde em 2008 cerca de 80% do seu orçamento era para salários e benefícios para policiais, bombeiros e outros funcionários sindicalizados da segurança pública. A cidade de Tracy, também na Califórnia, anunciou que os cidadãos deveriam pagar pelos serviços de emergência, 48 dólares anuais por domicílio, 36,00 para os de baixa renda e a taxa aumenta para 300 dólares para quem utiliza ou chama um serviço de emergência como ambulância ou o carro de bombeiros.  

Outro desafio é o energético e a ameaça dos biocombustíveis fósseis à biosfera, e se não encontradas outras fontes alternativas mais baratas e limpas os EUA perdem uma importante parcela de participação dessa nova espécie de mercado de TI, a ‘T.E a tecnologia de energia’. A China vem dando passos largos nessa área sendo uma das maiores fabricantes e exportadoras de painéis solares, assim como a Alemanha, enquanto isso os norte-americanos estão letárgicos e presos ao petróleo e todos os problemas alinhados com essa fonte energética no mundo atual e competitivo, sem contar a segurança ambiental planetária do uso desses combustíveis e a negação em parte da opinião pública e política perante ao aquecimento global, dificultando a discussão de novas frentes energéticas. De certa forma os EUA precisam tomar a dianteira nessa área para que a produção de energia limpa fique mais barata e se popularize no mundo.  

O Desafio da Educação

Os Estados Unidos precisam reduzir disparidades educacionais entre brancos, negros, hispânicos e outras minorias imediatamente, e mais do que isso, existe uma disparidade perigosa em leitura, redação e matemática entre os estudantes americanos com de outros países industrializados, tais como as partes mais desenvolvidas da China, Cingapura, Taiwan e a Finlândia. O resultado dos estudantes norte-americanos no teste do PISA ( Programa Internacional de Avaliação de Alunos pela OCDE) para as habilidades de pensamento no século XXI e pensamento crítico são preocupantes em detrimento ao resultados de outros países, os alunos americanos tiveram desempenho medíocre. E isso resulta em sérios problemas para um mundo que exige cada vez mais capacidade mental e criativa para a indústria 4.0 e os novos empregos que surgirão. Mais do que isso, países como China e Índia que antes exportava mão de obra barata, agora  fazem a exportação de cérebros e mão de obra barata QUALIFICADOS, ou seja, os imigrantes qualificados representam agora um sério risco aos empregos que antes eram apenas dos americanos, esse movimento pode fazer que empresas especializadas sejam criadas ou vá para esses países atraídas por esse novo capital intelectual, afinal o mundo hoje é muito mais plano.

A MacKinsen & Campany afirmou em relatório que se o desempenho dos alunos negros e latinos tivesse alcançado o dos alunos brancos em comparação de 1983 à 1998 o PIB de 2008 teria sido entre 310 bilhões e 525 bilhões de dólares maior. Se a defasagem entre alunos de baixa renda e os demais tivesse sido reduzida, o PIB teria sido entre 400 bilhões e 670 bilhões maior.

A China, apesar do estilo autoritário em seu método de educação, seja familiar ou escolar é uma espécie de norma cultural, os chineses acreditam que a melhor forma de proteger seus filhos é prepará-los para o futuro, fazer que eles vejam que são capazes e dotá-los de habilidades, hábitos de trabalho e confiança interna que ninguém jamais conseguirá retirar, mesmo que isso tenha que exigir rigorosidade e a exigência extrema, algo que não é muito comuns entre os ocidentais. A opinião dos autores é que os pais devam cobrar isso de forma insistente, participando e acumulando como se fosse uma espécie de capital intelectual valoroso que fará diferença no futuro de seus filhos e também do país, uma segurança nacional. Mas não é o que vem acontecendo na maioria dos lares americanos.

O relaxamento fiscal foi outro grande problema americano, as reduções exageradas de impostos dos Republicanos combinadas com a não redução de gastos públicos dos Democratas, além de duas guerras e os custos de enfrentar o colapso financeiro e a grande recessão, tudo isso criou enormes déficits e gigantescas dívidas públicas anuais. Milton Friedman não previu que os EUA conseguiriam facilmente financiar os déficits orçamentários crescentes contraindo empréstimos de outros países. O maior estimulador é a própria China, que se mostrou disposta a comprar títulos do Tesouro norte-americano devido a sua estratégia econômica de desenvolvimento liderado pelas exportações, para garantir o crescimento do país, necessário para o partido comunista. A China teve de sustentar e expandir suas exportações de modo a criar empregos para cada vez mais chineses, mantendo assim os produtos chineses mais acessíveis aos Estados Unidos. Ao comprar dólares americanos, a China manteve o dólar forte em relação ao iuan, possibilitando que os consumidores americanos continuassem comprando produtos chineses em quantidades cada vez maiores, então dessa forma países como Japão e a China manipulam as suas moedas no câmbio global livre para apoiar seus modelos de crescimento baseados em exportações, que acabam sustentando o crescimento americano baseado em consumo.  

As crises fiscais ainda enfrentam o desafio da guerra à matemática pública aliada com a política. Grande números de governadores e prefeitos se envolveram em trocas mútuas de favores com sindicatos estaduais e locais concedendo aumentos generosos de salários e aposentadorias, sendo essas retribuídas em contribuições para campanhas eleitorais. Sem a restrição da disciplina do mercado, os salários, aposentadorias e benefícios médicos dos funcionários públicos ficaram desproporcionais aos praticados no setor privado. Em suma, as políticas econômicas e fiscais nacionais criaram um desafio enorme para os Estados Unidos e para os futuros fundos de pensões, sendo necessário um período prolongado e nada indolor de ajuste à realidade.

De acordo com o colunista de negócios Steven Pearlstien diz:

‘ A dor virá em forma de alto desemprego prolongado? Ou de cortes salariais? Ou da redução do valor das casas e ativos financeiros? Ou da perda de controle acionário das empresas americanas? Ou da inflação de preços? Ou de impostos mais altos? Ou de reduções de serviços e benefícios do governo? A resposta certa, logicamente, é: ‘Todas as opções acima’. O buraco que cavamos para nós próprios foi tão profundo e tão amplo que precisaremos de tudo isso para sair dele. O desafio político, econômico e social da próxima década será decidir como iremos ratear o ajuste entre esses vários canais, e entre as várias classes, setores e regiões do país, sem afundar a economia ou romper os vínculos que mantêm nossa sociedade e a nossa democracia coesas.

O Sistema Dividido.

O EUA estão divididos entre os Republicanos e Democratas, como os dois partidos estão relativamente equilibrados, nem os republicanos do século XXI nem seus colegas democratas possuem qualquer expectativa de obter domínio político. Mas, mesmo que conseguissem obter, não seria algo positivo, porque nenhum partido sozinho dispõe das respostas para lidar com a globalização, a revolução da TI, os déficits da nação e seu padrão de consumo de energia, os EUA precisam de uma mescla do melhor da direita e também da esquerda, melhores escolas públicas e mais escolas particulares, mais prospecção doméstica em busca de petróleo e gás e uma taxação das emissões de carbono para motivar inovações que levem à energia limpa e eficiente, mais arrecadação fiscal e mais cortes de gastos. Ficar oscilando de um lado para outro entre as duas posições radicais não contribuem para a solução dos problemas apresentados.   

Além disso é preciso avaliar que a informação é algo a ser analisado em todo esse processo de resolução problemática dos Estados Unidos, as forças da polarização reduziram a capacidade do sistema político em atacar os seus maiores problemas. Um ambiente de mídia hiperfragmentado através do ciclo de notícias de 24 horas envolve a definição de coisas, os políticos vivem numa constante azáfama para assegurar que a sua proposta não seja definida de forma a destruir sua capacidade de obter votos necessários, o que isso significa? Que as reformas da previdência social, fiscal e políticas serão incrivelmente difíceis, porque basta um ou dois grupos de interesses especiais, liberais ou conservadores para derrubar aquilo na mídia e assim perder partidários nesse processo todo. A tecnologia ainda acentua esses problemas, as fontes de notícias e opiniões, que pareciam ser saudáveis para a democracia, também criaram um apetite por mais opiniões de mais pessoas o tempo todo, o que pode ter consequências imprevistas e também negativas na decisão e conclusão desses problemas.

Os EUA ainda representam um grande campo gravitacional no sistema mundial, suas decisões comprometem a política, economias e democracias ao redor do globo, portanto é preciso analisar como esse grande país vem buscando solucionar seus problemas ao mesmo tempo em que novas potências e players se tornam fortes e relevantes no cenário globalizado atual.                                                                                               

Por André Crevi

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